Eletrobras diz que tem 10 dias para apresentar recurso na bolsa de NY

Eletrobras diz que tem 10 dias para apresentar recurso na bolsa de NY

Negociação dos papéis da companhia foi suspensa na quarta-feira (18). Empresa não enviou balanço auditado de 2014 às autoridades americanas.

Do G1, em São Paulo

 

Vista do complexo nuclear de Angra dos Reis, em foto de arquivo. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes/Files)
Vista do complexo nuclear de Angra dos Reis, em foto de arquivo. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes/Files)

 

Os American Deposit Shares (ADS) poderão ser negociados no mercado “over the counter” a partir desta quinta-feira (19), disse em comunicado na noite da véspera.

A Eletrobras informou que pretende apresentar “todos os recursos cabíveis” contra a decisão. A companhia tem o prazo de dez dias para encaminhar as preliminares do recurso e manifestar se deseja fazer uma apresentação oral ao comitê do Conselho de Administração da Nyse. Para tanto, deverá pagar taxa de US$ 20 mil.

Entenda
A negociação dos papéis da Eletrobras foi suspensa, depois de a estatal comunicar na véspera que não entregaria às autoridades dos Estados Unidos o balanço auditado referente a 2014.

O impasse ocorre porque a KPMG, empresa de auditoria que tem de aprovar o balanço financeiro da estatal antes de ele ser enviado, se recusa a assinar o documento, porque ele não mensura o dano causado à estatal por irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.

“Nós entregamos todo o material de investigação interna ao auditor, mas foi bem em cima da hora e provavelmente o auditor contratado vai reprovar e pedir mais tempo”, disse à Reuters, nesta terça-feira, uma fonte da empresa. “Isso porque, a cada apuração feita, se encontram possíveis novos indícios de irregularidades que estimulam novas investigações”, acrescentou.

“Deixar de ter os ADRs negociados sem dúvida não é positivo para a imagem da empresa, mas queremos ir a fundo nos malfeitos”, disse a fonte da estatal.

Consequências

De acordo com a Eletrobras, não há chance de nova extensão de prazo pela Bolsa de Valores de Nova York. Por isso, foi suspensa a autorização para negociação dos American Deposit Receipts (ADRs, que são recibos de ações) da companhia, enquanto corre um processo sobre ela.

Esse processo deve durar pelo menos dois meses e vai avaliar se as ações da estatal serão deslistadas (perderão o registro na Nyse). Na terça-feira, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou que, se isso ocorrer, o Tesouro Nacional pode ter de arcar com até R$ 40 bilhões para pagar quem tinha investido na estatal.

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse nesta quarta ao G1, porém, quesão “remotíssimas” as chances de dívidas da estatal no valor de R$ 40 bilhões terem o vencimento antecipado.

Segundo o analista de mercado Miguel Daud o efeito mais imediato da suspensão é uma pressão ainda maior na liquidez da companhia, além do prejuízo à imagem e credibilidade da estatal. “Ao não ter cumprido as regras, a Eletrobras perde muito a capacidade de liquidez que a empresa precisa para financiar seus projetos, uma vez que o custo de captação tende a ficar mais caro”, explica.

A dívida bruta da Eletrobras atingiu R$ 48,2 bilhões no final de 2015, segundo dados da Economatica. A estatal registrou no ano passado um prejuízo de R$ 14,44 bilhões – o maior prejuízo da história da empresa e o décimo maior da história das empresas de capital aberto brasileiras.

Nota da Eletrobras
Na nota enviada à SEC (Securities and Comission, a CVM dos EUA) nesta terça-feira (17), a Eletrobras disse que pretendia apresentar recursos e que estava trabalhando para permitir que os ADRs pudessem ser negociados no mercado de balcão.

A Eletrobras ainda informa na nota que, durante o processo de suspensão, os titulares dos papéis (ADs EBR e EBR-B) poderão pedir junto ao Banco Depositário de ADS da Eletrobras, JP Morgan, o cancelamento de seus títulos ou a sua migração para ações ordinárias (ELET3) e preferenciais B (ELET6) correspondentes, que são negociadas, no Brasil, junto à Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).

No Brasil
A Eletrobras entregou o balanço de 2014 auditado para a CVM (Central de Valores Mobiliários) no dia 27 de março de 2015 – ou seja, dentro do prazo determinado por lei.

A CVM explica que, como o tipo de documentação exigida aqui é diferente do que é preciso apresentar nos Estados Unidos, a Eletrobras não possui nenhuma pendência com o órgão regulador do Brasil, podendo assim continuar negociando seus papéis na Bovespa.